Parque do Rio Branco

Parque do Rio Branco, vida nova para Boa Vista

O imponente Parque do Rio Branco, principal ponto turístico do Estado de Roraima, estará disponível à população a partir de dezembro de 2020, com amplas áreas de lazer, mirante, ciclovia, fonte interativa, espaço infantil, espelho d’água, atracadouro, selvinha amazônica, quadras de vôlei, área para piquenique, banheiros, praias para o rio Branco e muito mais.











O parque está sendo construído na antiga área Francisco Caetano Filho, às margens do rio Branco, maior curso fluvial do Estado de Roraima, e seu afluente, igarapé Caxangá. Local onde viviam centenas de famílias em situação de extrema vulnerabilidade socioeconômica e ambiental, com registros de enchentes, violência, prostituição, tráfico e consumo de drogas, doenças, com despejo irregular de esgoto e a ineficiência de políticas de saneamento básico e segurança. Estes fatores, aliados à carência de estrutura urbana e extrema degradação socioambiental contribuíam para caracterizar essa área como favela.













A história da ocupação do Beiral está intrinsecamente ligada ao processo de formação da capital, pois ficava às cercanias de onde se instalou a antiga Fazenda Boa Vista do Rio Branco, que deu origem à cidade, sendo uma área originalmente ocupada por comunidades indígenas.













Até 2017, as intensas e sucessivas enchentes agravavam o caos social vivenciado pelos moradores, mitigado apenas com efeitos paliativos pelas eventuais intervenções do poder público. Ao longo dos anos, as pessoas que moravam naquele local eram repetidamente obrigadas a abandonar suas moradias, em virtude das cheias. Anualmente, a Defesa Civil Municipal intervinha para proteger a população por meio de interdição de vias públicas, desligamento da rede de alta tensão, remoção de pessoas para abrigos ou casas de parentes.











O poder público municipal compreendeu que o Beiral deveria ser prioridade para as ações governamentais e, em 2017, o Parque do Rio Branco começou a sair do papel. O propósito é dar dignidade, proporcionar uma vida nova para a população que diretamente sofria com as mazelas e revitalizar uma região de beleza natural ímpar, às margens do principal curso d’água do estado, área que já havia sido destinada a oferecer um novo perfil à cidade por meio da Lei municipal nº 1117/2008 (DOM, 2008).











Para as intervenções socioambientais, foram considerados estudos técnicos, com destaque para o relatório de 2012 do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), que recomendava a realocação dos moradores das casas mais próximas ao rio, a recuperação das áreas degradadas na orla e sugeria a criação de áreas de recreação e passeios públicos neste local.



A efetivação desse projeto foi realizada com ações intersetoriais, envolvendo equipes multidisciplinares, que consideram os problemas estruturais e sociais do bairro e das suas adjacências. As intervenções foram divididas em três etapas e estão atualmente na sua terceira e última fase:

1. Diagnóstico e mapeamento da área: identificação das casas e famílias; cadastramento das famílias; indenizações; desapropriações; realocação e monitoramento das famílias, demolição das construções existentes;

2. Plano de intervenção ambiental: com a canalização do igarapé Caxangá; elevação da avenida Sebastião Diniz; terraplenagem e macrodrenagem do terreno;

3. Revitalização e urbanização: Construção do mirante, do espelho d’água, das quadras, da ciclovia, do espaço das crianças e da marina.













O Parque do Rio Branco, além de ser uma obra de saneamento básico e urbanização, oferecerá um novo perfil ao local e melhorará a imagem apresentada aos visitantes da cidade, com uma belíssima e moderna área turística e de recreação. Mais do que isso, retirou da situação de vulnerabilidade e promoveu a possibilidade de moradia digna para famílias que viviam em condições e habitações precárias (muitas no estilo palafitas - casas de madeiras suspensas), em um local insalubre, expostas a doenças, à proximidade da prostituição, do tráfico e do consumo de entorpecentes.